Uma noite dessas eu acordei e não conseguia voltar a dormir. Resolvi escrever para ver se pegava no sono novamente. Já contei que acordo alucinada? Além de mal humorada ainda acordo em altas viagens que ácido algum poderia proporcionar. Segue o resultado daquela noite.
“Uma voz em minha cabeça bem ao fundo pergunta ‘por que não desiste nunca?’. Em lágrimas não consigo encontrar resposta, mas a vontade de ceder se torna mais forte. Tento muito, mas não consigo pegar no sono. Estou cansada, quero um pouquinho de paz. Não quero mais enumerar o que não consegui e nem suportar as mágoas que me deixaram. Isso vai passar. Vai.”
Acho que depois disso eu dormi porque não tem mais nada no caderninho. Esse é um exemplo de como o ‘isso’ assume importância na vida da pessoa a tal ponto que a toma a vontade de dormir. Eu acredito que isso deveria ficar no seu lugar e não incomodar mais.
Ouvindo a líndissima I Shall Be Released da Nina Simone. Amo essa música.
Ontem estava assistindo House, episódio que se chama DNR (No Brasil: Me Deixe Morrer). Resumindo: um famoso músico de jazz tem problemas de respiração durante uma sessão, e depois tem paralisação nas pernas. Sem esperanças ele deseja que os médicos não interfiram mais e o deixem morrer. Depois que o House diagnostica o problema dele e o músico recebe alta, ele presenteia o médico com seu instrumento. No final achei esse diálogo sensacional.
John Henry Giles: How many of those pills you taking?
Dr. Gregory House: I’m in pain.
John Henry Giles: Yeah. Aren’t we all.
Quem não sofre?
E quem não se agarra ao sofrimento como proteção e até mesmo como justificativa para ser quem é?
Você se afasta das pessoas mesmo sentindo carinho por elas, mesmo sem culpados e mesmo sem motivos que realmente justifiquem. E quando elas se vão para sempre você percebe o tropeço que levou. Fica se perguntando se algum dia disse o quanto as estimava e o que poderia ter feito para que soubessem. E ao sonhar acordado imagina um passado que tivesse seguido caminho diferente, uma nova oportunidade.
Lembrará-se de bons momentos, de detalhes e de como eram até que se tornem borrão na memória.
E tudo é mais lamentável e amargo porque você entende que simplesmente faz parte e que a saudade, que sentirá para sempre, machuca ainda mais.
Mundo da Internet Parte 1: Nunca. Nunca fale mal do seu trabalho pra todo mundo ver ou para qualquer um. A não ser que você queira ser mandado embora em grande estilo. Exemplo: Ex-editor da National Geographic que depois de criticar a revista Veja no Twitter foi demitido. Afinal a mesma revista Veja é do Grupo Abril, aquele que paga o salário dele. Agora não adianta chorar pitanga e sonhos destruídos.
Mundo da Internet Parte 2: Que seja eterno enquanto dure, mas não faça vídeos de cenas íntimas para eternizar, ok? A não ser que você queira vê-lo em sites para maiores. Namoros acabam, computadores são roubados, irmãozinhos são pervertidos, técnico de computador é depravado… não confie!
Ainda lembro quando tocou meu telefone há 7 anos atrás e uma amiga querida me disse que a Nina tinha ido. Nós crescemos ouvindo Nina Simone. Lembro de tantos momentos com voz dela de fundo. Como sem ela? Sempre ouvia, quando estava tudo bem, quando era para cair na foça, quando era para sair da foça, quando tinha o coração nas nuvens, ou melhor, sentindo-se bem… Lembro de manhã de domingo em que estava com o coração nas nuvens observava folhas secas no vento, e ela foi companhia naquele momento de paz.
“Can’t believe she’s gone…! I know, it’s so sad!“.
Acho que todo fã deve sentir o mesmo quando ouve esse diálogo em Before Sunset. Aquela dorzinha no peito, a sensação de órfão eterno de Nina Simone.
Eu poderia falar muito mais, mas seria tão pequeno diante da minha admiração por ela e seria tão desnecessário. Então, fica Wild is the Wind e Ain’t Got No…I’ve Got Life para relembrar.